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27/11//2007
União enviará devedores à Serasa em janeiro
O envio dos nomes dos devedores do fisco federal à Serasa deve começar em janeiro
do ano que vem, incluindo indiscriminadamente pequenos e grandes devedores. A
Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) já fez a seleção dos devedores que
irão ao cadastro de crédito: 1,8 milhão de contribuintes, de um total de 3 milhões
inscritos na dívida ativa da União. Ficaram de fora aqueles com débitos suspensos
por liminares, depósitos ou parcelamentos. Para evitar problemas operacionais -
como avalanches de reclamações administrativas e judiciais -, a PGFN distribuirá os
devedores em 12 lotes mensais levados à Serasa ao longo de 2008.
Segundo o procurador-geral da Fazenda Nacional, Luís Inácio Adams, o primeiro lote
será pequeno, de 1,28% dos devedores, proporção elevada lentamente até o 12º lote,
que levará 15% dos devedores do fisco ao Serasa. Os lotes abrangerão igualmente
todas as faixas de dívidas: de até R$ 10 mil, de R$ 10 mil a R$ 100 mil, de R$ 1
milhão a R$ 10 milhões e de mais de R$ 10 milhões. Segundo ele, houve opção pelo
aumento gradativo para acomodar problemas de gestão, como a ida de contribuintes
insatisfeitos aos balcões das procuradorias, da Receita Federal ou da Serasa.
Quanto às ações judiciais, Adams diz que não teme uma avalanche de reclamações.
"Isto é natural em um país em que tudo vai parar na Justiça", diz. O procurador está
fazendo uma espécie de turnê para defender o projeto: ontem foi à comissão de
tributação e finanças da Câmara dos Deputados, na semana que vem irá à Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e depois deve voltar ao Congresso
Nacional. "O impacto da medida será significativo, então é importante que o projeto
seja bem definido e compreendido", diz Adams. As apresentações, diz, servem para
evitar resistências, mal entendidos e ações diretas de inconstitucionalidade
(Adins).
De acordo com Adams, a inscrição dos devedores nos serviços de proteção ao crédito
foi experimentada em algumas centenas de casos pelas procuradorias da Fazenda dos
Estados de Goiás e de São Paulo, onde o resultado foi um grande número de
regularizações fiscais e também de contestações judiciais. A proporção de devedores
que quitaram a dívida depois de protestados foi de 30%, diz o procurador. "Mas foi
um número muito pequeno de inscrições, é difícil estimar o impacto que terá no nosso
caso", diz. A Fazenda recuperou neste ano R$ 9,75 bilhões da dívida ativa - apenas
2% do total. Se recuperar 30% da dívida ativa com as inscrições na Serasa,
arrecadará R$ 135 bilhões - quase quatro vezes mais do que a CPMF.
O tema foi tratado ontem em uma reunião convocada pela comissão de finanças e
tributação da Câmara. Segundo o deputado Antônio Palocci (PT-SP), um dos cinco
deputados presentes na reunião, alguns colegas acreditam que a inscrição dos
devedores na Serasa é inconstitucional, mas a comissão não se opôs à proposta. "Se
alguns acham que a medida é inconstitucional, é um problema que vai ser resolvido no
Judiciário", diz. O deputado diz que não foi cobrado da Fazenda que encaminhe um
projeto de lei autorizando a prática. "Já há autorização legal para isso no Código
Tributário Nacional (CTN), não há necessidade de lei nova", disse Palocci.
Valor Online Fernando Teixeira
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