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05/03/2005
Toxicologia
No Século XIII já se sabia que qualquer substância é tóxica, dependendo da dose. Atualmente nós sabemos que os antibióticos tanto nos defendem do ataque bacteriano, com também causam alguns efeitos desagradáveis; sabemos que o inseticida não faz mal somente para a barata e que o álcool prejudica o fígado.
No entanto, muitas vezes utilizamos substâncias químicas, como detergente, aguarrás, querosene, sem que percebamos o risco que elas representam. Isto acontece freqüentemente por desconhecermos que aquela substância é tóxica,. As pessoas que trabalham com agentes químicos acostumam-se a trabalhar com esses produtos e não sentem mais alguns sintomas, como ardência e cheiro desagradáveis. Mas isso não significa que elas não estejam atuando no organismo: o risco de danos para a saúde é crescente e os efeitos, muitas vezes, demoram anos para se manifestar, podendo até se tornar irreversíveis.
Intimidade do Homem e do Produto Agressivo
Este é o caso do pessoal que trabalha em contato com produtos químicos: pega tanta intimidade com os produtos, que acaba achando desnecessário se proteger, mesmo durante as operações em que há risco de contato.
Nesta publicação vamos aprender que este contato diário com produtos químicos, causa problemas que, ao longo do tempo, poderão influir no nosso bem-estar e na nossa saúde. Evitar esse contato com substâncias tóxicas é um direito que depende, em parte, de nós mesmos.
Dando Nome aos Bois...
1. Toda substância química pode fazer mal – depende da quantidade...
A Toxicologia estuda esses efeitos nocivos sobre os seres vivos.
2. Algumas substâncias são mais nocivas do que outras e seus efeitos podem ser diferentes. Isso se chama Toxicidade. E a substância causadora de dano chama-se substância Tóxica ou Tóxico.
3. A substância tóxica pode causar mal, mas isto só acontece quando ela entra em contato com o nosso corpo. A probabilidade dela penetrar no organismo se chama Risco Tóxico.
O risco depende de tudo o que contribui para que a substância ente em contato com o nosso organismos:
- a temperatura (quanto mais alta, maior o risco);
- o estado da substância (em geral, os gases representam risco maior do que os líquidos);
- a forma de embalar e transportar a substância.
O Risco não depende da toxicidade. Por exemplo:
O tolueno que está dentro de um tambor fechado representa um risco potencial de intoxicação – que só vai ocorrer se houver vazamento. O risco para o bombeador durante uma operação de carregamento é ainda maior. E se não for utilizado o procedimento correto durante uma limpeza de tanque com trapos embebidos em tolueno, o confinamento do ambiente irá contribuir para que o organismo absorva o produto pelos pulmões e pele.
É o mesmo tolueno, a mesma Toxicidade – mas são três graduações de Risco Tóxico diferentes. Portanto, o risco depende, em grande parte, da forma de lidarmos com as substâncias. Num navio o risco químico é mais percebido pelo pessoal do convés, que lida com grandes quantidades de produtos químicos nas operações de carga e descarga. O pessoal de máquinas pode estar se expondo a quantidades significativas de substâncias tóxicas nas suas atividades diárias.
No local onde a substância entra em contato – pele, olhos, nariz – pode causar irritação, ardência, ressecamento ou outras reações.
São os chamados Efeitos Locais. Por exemplo, os ácidos causam queimaduras, dependendo da concentração.
Mas algumas reações acontecem longe do local de contato – estes são os Efeitos Sistêmicos. Exemplo: o dano que o tetracloreto de carbono e o álcool etílico causam ao fígado é um efeito sistêmico.
Dicas Importantes
1. A substância química só vai causar algum dano se houver contato com o organismo. Por isso, a proteção é tão importante.
2. Substâncias hidrossolúveis (solúveis em água) têm uma probabilidade maior de causar efeitos locais. ´É o caso da soda cáustica e dos ácidos.
3. Algumas substâncias atravessam a pele ou outras barreiras do organismo chegando ao sangue. São substâncias lipossolúveis (isto quer dizer solúveis em gorduras). Todos os solventes derivados do petróleo são lipossolúveis.
4. A mesma substância pode causar efeitos diferentes, dependendo da quantidade.
5. Pode-se trabalhar com uma substância muito tóxica e o risco ser pequueno como o caso da substância no tambor, que só vai causar intoxicação se houver vazamento.
6. Pode-se trabalhar com uma substância pouco tóxica e o risco de intoxicação ser alto. É o caso de limpeza de locais sem ventilação adequada com nafta ou outros solventes.
7. Ao entrar em contato com o organismo, se a substância conseguir atravessar a pele ou outras barreiras, ela entra no caminho da Toxicocinética, que veremos a seguir.
Toxicocinética
A peregrinação das substâncias químicas no organismo.
"T" é uma substância tóxica que não pertence ao nosso organismo. Se ela estiver no ambiente, pode entrar em contato com o nosso corpo. Este contato pode acontecer:
- pela via respiratória – quando "T" se apresenta como gás ou vapor.
- pela via digestiva – quando "T" é um líquido ou sólido ingerido.
- pela pele – quando "T" está em contato com o nosso corpo, seja pelas mãos ou mesmo pelas roupas molhadas.
Quando "T" consegue entrar no organismo e chegar até o sangue, dizemos que foi absorvida. É o processo de Absorção.
Após absorção "T" é levado pelo sangue para todos os lugares do organismo. É o processo de Transporte e Distribuição.
Quando "T" encontra um local pelo qual tem afinidade, fica armazenada. É o caso do solvente que fica armazenado na gordura. Este processo se chama Armazenamento.
No fígado "T" é transformado. É o processo de Biotransformação.
E, finalmente, os rins eliminam "T" para fora do nosso organismo. É o processo de Eliminação.
Mais Dicas Importantes
1. As substâncias podem ser absorvidas, principalmente, por via respiratória, digestiva e através da pele.
2. As substâncias, depois de absorvidas, são distribuídas pelo sangue.
3. O fígado é o principal local de transformação das substâncias.
4. Algumas substâncias ficam armazenadas em alguns locais do organismo.
5. As substâncias podem ser eliminadas pelo ar exalado, pela urina e todas as outras secreções do organismo – lágrimas, suor, saliva, etc.
6. Durante esta permanência no organismo as substâncias podem ou não provocar efeitos tóxicos que serão estudados na Toxicodinâmica.
Toxicodinamica
É o estudo das modificações que "T" provoca no organismo.
Os efeitos que podem acontecer nas primeiras 24 horas após o contato. São os Efeitos Imediatos. É o caso da queimadura pelo fenol, que se manifesta na hora do contato.
Outros efeitos ocorrem com mais de 24 horas após o contato. São os Efeitos Tardios. Entre esses efeitos estão o câncer e as doenças do sistema nervoso. Estes efeitos levam, às vezes, anos para se manifestarem e por isso é mais difícil descobrir qual o agente causador.
Conhecendo Melhor o Efeito
Irritação – muitas substâncias químicas conhecidas causam irritação, entre elas, os ácidos e as bases. No lugar de contato, estas substâncias provocam reações que vão desde a coceira, vermelhidão, inchação, até ulcerações e sangramento. É o caso da amônia, que causa tosse, espirro, lacrimejamento e sangramento quando inalada.
Asfixia – é causada por gases chamados asfixiantes. A asfixia é a falta de oxigênio na célula, provocando falência em suas funções, podendo levar à morte. Os gases asfixiantes são divididos em simples e químicos.
Gases Asfixiantes Simples – provocam asfixia ocupando o lugar do oxigênio no ambiente. São portanto mais perigosos em ambientes confinados. As frações gasosas do petróleo, como metano, etano, propano e butano são asfixiantes simples.
Gases Asfixiantes Químicos – provocam asfixia independente do local ser confinado ou não. São gases letais. Os mais comuns são: H2S ou gás sulfídrico; HCN ou gás cianídrico; CO ou monóxido de carbono.
Efeitos Sobre o Sistema Nervoso – ocorrem quando a substância tem afinidade pelo sistema nervoso e afetam tanto o cérebro quanto os nervos situados em outros lugares do corpo. O sistema nervoso é altamente sensível aos solventes industriais porque é formado, em grande parte, por gordura. Assim TODOS os solventes industriais, sejam éter, tolueno, xileno, hexano, fenol e outros, causam uma sensação de euforia em pequenas doses. Em doses maiores causam sensação de embriaguez, diminuição da coordenação motora, sonolência, podendo chegar ao coma e à morte.
Pequenas doses diárias podem causar insônia, irritabilidade, alterações de humor, dificuldade de concentração e mesmo sensação de dormência e formigamento. As alterações no sistema nervoso são, muitas vezes, as que primeiro se manifestam. Podem também provocar mudanças no comportamento ou uma tendência maior a acidentes.
Mutagênese – é uma modificação na célula, que fica com a forma e/ou função alteradas, podendo ocorrer diversos fenômenos, entre eles, a formação de tumores benignos ou malignos (câncer). Também podem demorar a aparecer, ou se manifestarem em outras gerações (filhos, netos, bisnetos, etc..)
Câncer – a célula muda sua forma e função e passa a se reproduzir de modo descontrolado, originando tumores e invadindo outros tecidos. Pode ser causado por substâncias químicas, vírus, raios-x. Por exemplo, câncer de fígado causado pelo tetracloreto de carbono, câncer de pulmão causado pelo fumo. O período de incubação pode durar dez, vinte, trinta anos.
Teratogênese – efeito provocado no feto quando a mulher grávida se expõe a tóxicos. Mulheres dependentes de álcool e que bebem durante a gravidez podem provocar alterações na criança, que pode nascer com baixo peso e alterações cerebrais. Outro exemplo é o das mulheres que tomaram talidomida durante a gravidez e os filhos nasceram com defeitos nos braços. Nesse caso, os efeitos vão depender da dose e da época da gravidez em que a mulher teve contato com a substância tóxica.
Finalmente, existem substâncias que provocam danos em determinados pontos do corpo, como ossos, órgãos formadores de sangue, olhos, etc. Freqüentemente as substâncias causam danos ao fígado, porque é o órgão onde elas são transformadas, e aos rins e bexiga, porque elas se concentram na urina.
Câncer, mutação e teratogênese são efeitos probabilísticos, isto é, expor-se a uma substância carcinogênica aumenta a probabilidade de uma pessoa ter câncer. O mesmo vale para os outros efeitos.
E Agora Como se Proteger?
E agora, se tudo é tóxico, e se as substâncias químicas estão em todo o lugar, como podemos nos proteger delas?
Já vimos que substâncias muito tóxicas podem ser utilizadas de maneira segura. Isto depende de alguns fatores:
Processo – condições favoráveis à expansão das substâncias podem aumentar o risco tóxico, por isso o enclausuramento representa maior segurança. Altas temperaturas e pressões, por outro lado, significam maior risco. Substâncias mais voláteis também representam mais risco. É importante pensar sempre em substituir substâncias mais tóxicas por outras menos tóxicas, como por exemplo os aromáticos por solventes de cadeia aberta.
Ambiente – ventilação, exaustão, presença de anteparos e outras condições no local, podem diminuir os contato do homem com as substâncias.
Organização do Trabalho – a forma como o trabalho é organizado pode implicar em um número menor de pessoas envolvidas em operações de maior risco ou maior proximidade da fonte tóxica.
Procedimentos – a maneira de realizar determinadas ações representa maior ou menor risco e esta é uma das bases do procedimento seguro.
Equipamentos – a manutenção dos equipamentos é importante no controle de risco, contribuindo na prevenção de acidentes que envolvam vazamentos e outros eventos de risco.
Uso de E.P.I – O Equipamento de Proteção Individual impede o contato entre o agente tóxico e o organismo humano, reduzindo o risco tóxico.
Armazenamento – as condições de armazenagem devem obedecer às instruções contidas nas fichas de informação das substâncias para evitar o risco de intoxicação. O mesmo vale para o transporte.
No entanto, muitas vezes existe certa quantidade de substâncias no ambiente. Se os efeitos dependem da quantidade, como saber se a quantidade no ar pode causar efeitos nocivos ou não?
Fazendo testes com animais de laboratório, observando trabalhadores e levantando dados estatísticos, pode-se considerar que existe uma quantidade da substância no organismo que não provoca efeitos nocivos observáveis. Assim, foram estabelecidos limites considerados seguros para a maioria dos trabalhadores expostos durante a jornada de trabalho. São os Limites de Tolerância (TLV em inglês). Ou LT (Encontrado na NR-15 da Portaria 3214 do (MTE)
Nossa legislação, em portaria 3214 de 08/06/1978, NR-15 , determina os limites de tolerância para várias substâncias. Para se saber a quantidade de substância tóxica no ambiente retira-se uma amostra desse ar e envia-se para o laboratório. O resultado é comparado ao Limite de Tolerância e assim tem-se uma noção do risco. Assim como se pode medir as substâncias no ar, pode-se também medir no ser humano, no ar dos pulmões, na urina e no sangue, e saber quanto foi absorvido. Existem também Limites de Tolerância Biológica, determinados a partir de estudos que servem para comparação com os valores encontrados no ser vivo.
Outras Perguntas Importantes
Ter curiosidade a respeito de substâncias com as quais temos contato, seja no trabalho ou em casa, é muito importante para a nossa saúde.
1. O que esta substância pode causar à minha saúde?
A resposta está nos manuais, fichas, livros e revistas.
2. Por onde esta substância pode entrar no meu organismo?
Isto depende do estado em que a substância se encontra. No estado gasoso entrará por meio da respiração; se for líquida, pode penetrar a pele, mas lembre-se que líquido também evapora e o vapor pode ser inalado. Assim, fica mais fácil saber como e onde proteger.
3. Esta substância é capaz de atravessar os pulmões e chegar até o sangue?
Depende da solubilidade. Quanto mais lipossolúvel, maior a probabilidade de intoxicação. Os derivados do petróleo são, em geral, muito lipossolúveis. A ficha de informação do produto (FISPQ) esclarece esta pergunta. Esta ficha deve ser exigida SEMPRE do fornecedor ou fabricante para TODAS as substâncias.
4. Como posso adquirir conhecimentos para proteger minha saúde contra os riscos químicos?
Uma das formas mais eficientes de adquirir conhecimento é participando de cursos específicos que abordem os temas de interesse esplicando como interpretar os riscos, o resultado das avaliaçõe ambientais, os efeitos nocivos para a saúde, os Recursos de engenharia e aqueles oferecidos pelos EPI’s. Além disso os livros e manuais ajudam a entender melhor o assunto.
É bom lembrar: para que a substância faça mal à saúde, é preciso que haja o contato com nosso organismo. SEM CONTATO NÃO HÁ EFEITO.
Mais Perguntas Importantes...
1. No local onde estou trabalhando há possibilidade de eu Ter contato com alguma substância?
Qual? Quando? Quanto?
2. A forma como estou trabalhando é a melhor para evitar que a substância atinja o meu organismo ou há outras formas mais seguras?
Através da elaboração eficiente de um Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA) e Saúde Ocupacional podem ajudar a encontrar as repostas para estas duas perguntas.
3. O que vou fazer se esta substância entrar em contato com a minha pele, olhos, for engolida ou inalada?
Consulte os manuais de primeiros socorros e as fichas de informação (FISPQ) , que devem ser SEMPRE exigidas dos fornecedores e fabricantes.
4. Como posso contribuir para o controle do risco no meu local de trabalho?
Aprender sobre toxicologia é ter consciência da própria responsabilidade diante das agressões aos seres vivos e ao ambiente. Respeitar os próprios limites é fundamental: o homem vem sendo exposto a um número cada vez maior de substâncias químicas, em parte devido ao próprio desenvolvimento tecnológico – os resultados podem ser imprevisíveis. É importante divulgar e usar corretamente o equipamento de proteção e utilizar os procedimentos corretos.
Devemos ser cuidadosos e contribuir da melhor forma para prevenir a exposição às substâncias químicas, mesmo aquelas aparentemente menos nocivas – não sabemos o que os novos estudos podem concluir no futuro. Podemos utilizar as descobertas da ciência na melhoria da qualidade de vida no planeta: ar respirável que não cause doenças; mares não apenas navegáveis, mas que permaneçam sendo a casa de outros seres; terra fértil que nos dê o alimento não apenas para combater a fome, mas que garanta a saúde para todos!
A WEST TRAINING OFERECE CURSOS SOBRE RISCOS QUÍMICOS
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