Espaço Cultural  - Ilcimar Abreu

 
 

17/10/2005

A poesia erótica de Drummond

O livro “O Amor Natural” - coleção de poemas escritos a partir de 1970 - revelou as poesias eróticas que Drummond manteve ocultas. Pediu que a obra fosse publicada somente após sua morte.
Na visão do escritor, teórico e professor Affonso Romano de Sant'Anna, o tema do amor e do erotismo estão presentes em todos os livros do grande poeta. Segundo ele, a poesia erótica de Drummond é um trabalho de perícia e extremamente excitante. 
Outros lêem os poemas apreciando seu fundo místico.
Confira a beleza das poesias:

Amor, pois que é palavra essencial
Amor - pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.
Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva. 

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito? 

O corpo noutro corpo entrelaçado, 
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um. 

Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?

Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram. 

Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue. 

E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da prórpia vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando. 

E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino. 

Quantas vezes morremos um no outro, 
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita. 

Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.

A língua lambe
A língua lambe as pétalas vermelhas 
da rosa pluriaberta; a língua lavra 
certo oculto botão, e vai tecendo 
lépidas variações de leves ritmos. 

E lambe, lambilonga, lambilenta, 
a licorina gruta cabeluda, 
e, quanto mais lambente, mais ativa, 
atinge o céu do céu, entre gemidos, 
entre gritos, balidos e rugidos 
de leões na floresta, enfurecidos.

Fique atento:
Saramago lançará livro dia 3 de novembro: “As intermitências da morte”, Companhia das Letras
O romance, de cerca de 200 páginas, poderá ser comprado a partir do próximo dia 27, aproveitando assim a presença do escritor no país nessa época. O lançamento acontece no Sesc Pinheiros - SP, a partir das 19h.

Saramago narra em seu romance o caos que se cria em um país quando a morte decide deixar de matar no último dia do ano, circunstância que gera uma situação incompreensível para os cidadãos. (Fonte: Site UOL)

Conheça:
Site extremamente moderno e bem organizado. Você poderá acessar depoimentos de diversas personalidades a respeito de Machado de Assis, textos integrais de sua obra, dentre outras informações interessantes. 
Anote: http://machadodeassis.org.br 
Até o próximo encontro. Leiam sempre!

ILCIMAR ABREU DOS SANTOS 
ilcimarabreu@gmail.com 































 

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