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20/07/2005
O PRAZER DE LER
É o mínimo de que o século XXI precisa: que as pessoas amem o livro como o mais belo objeto que o homem criou. (ZIRALDO)
As feiras literárias viraram moda, já perceberam?
Que bom, porque a estes eventos têm comparecido um grande número de crianças e jovens.
Um alento, já que a realidade brasileira é sombria: o próprio MEC considera que 61% dos adultos brasileiros alfabetizados têm muito pouco ou nenhum contato com o livro.
Não ler acarreta inúmeros problemas. Já parou para analisar que se a pessoa não lê provavelmente ela não vai conseguir escrever? E que talvez não saiba falar?
Prejuízos que se encadeiam através dos anos e que, inexoravelmente, deságuam nas provas do vestibular.
Penso que nem tudo está perdido. Muito se fala, estudos são feitos, e o tema “leitura” envolve profundamente os profissionais bem intencionados em realçar esta ferramenta indispensável para a vida de todos nós.
Ler é um dos maiores prazeres e, melhor, tem relevante função social: demonstra nosso grau de cidadania.
No Brasil é questão de cultura; às vezes, compra-se um lindo par de tênis caríssimo mas não paga-se por um livro essencial ao crescimento e enlevamento de nosso espírito.
Erroneamente, costuma-se associar o hábito da leitura à solidão. Talvez pelo fato de que o mundo atual seja muito dispersivo. Entretanto, acredito que existam inúmeras alternativas para redimensionar esta questão: por que não formar grupos de amigos para ler?
As vantagens vão desde a profícua troca de idéias, reflexão em conjunto, conhecimento do outro – passaportes seguros para preencher as lacunas do aprendizado formal.
Mais: em grupo nosso poder de crítica torna-se mais aguçado, desenvolve-se a capacidade, inclusive, de argumentação, enriquece-se o vocabulário e elabora-se o pensamento.
Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre,com obtusa pertinácia. (NELSON RODRIGUES)
ILCIMAR ABREU DOS SANTOS
ilcimarabreu@gmail.com
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