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16/07/2008
GIUSEPPE GHIARONI (1919 – 2008)
Brasileiro, escritor, poeta, radialista, homem solitário, simples e desconhecido
Dentre tantos outros nomes esquecidos, apesar do inigualável talento e criatividade, Ghiaroni é um daqueles brasileiros inspiradíssimos que alcançou o auge de sua carreira profissional como autor de novelas nos anos de ouro da Rádio Nacional.
Seria maravilhoso se nossos jovens estudantes de literatura voltassem seus olhos para a pesquisa da obra de personalidades como a de Giuseppe Ghiaroni, que terminou a vida no obscurantismo apesar dos incontáveis textos e realizações de suma importância.
Nascido na cidade de Paraíba do Sul, escreveu diversas radionovelas e comandou programas de sucesso. Homem de privilegiada inteligência, na qualidade de tradutor de filmes trabalhou por muitos anos na Universal Filmes, onde começara carreira como office-boy. Mestre do rádio e da televisão, fez parte dos quadros do SBT (produziu os melhores momentos dos domingos com Silvio Santos) e da Globo, onde participou da equipe que produziu a primeira versão do Sítio do Picapau Amarelo e da redação do “Chico Anísio Show”.
Poeta acima de tudo, Giuseppe Ghiaroni deu realce às pequenas coisas da vida nas novelas que escreveu e nos personagens que criou. Dentre suas obras constam os seguintes títulos: “O Dia da Existência”, publicado em 1941, “A Graça de Deus”, lançado em 1945, “Mãe”, novela de caráter eminentemente sentimental, “Canção do Vagabundo”, edição de 1949, conjunto de textos poéticos.
Composto de versos de grande intensidade lírica, destacamos aqui o trabalho mais conhecido: o poema A MÁQUINA DE
ESCREVER.
Mãe, se eu morrer de um repentino mal,
vende meus bens a bem dos meus credores:
a fantasia de festivas cores
que usei no derradeiro Carnaval.
Vende ese rádio que ganhei de prêmio
por um concurso num jornal do povo,
e aquele terno novo, ou quase novo,
com poucas manchas de café boêmio.
Vende também meus óculos antigos
que me davam uns ares inocentes.
Já não precisarei de duas lentes
para enxergar os corações amigos.
Vende , além das gravatas, do chapéu,
meus sapatos rangentes. Sem ruído,
é mais provável que eu alcance o Céu
e logre penetrar despercebido.
Vende meu dente de ouro. O Paraíso
requer apenas a expressão do olhar.
Já não precisarei do meu sorriso
para um outro sorriso me enganar.
Vende meus olhos a um brechó qualquer
que os guarde numa loja poeirenta,
reluzindo na sombra pardacenta,
refletindo um semblante de mulher.
Vende tudo, ao findar a minha sorte,
libertando minha alma pensativa
para ninguém chorar a minha morte
sem realmente desejar que eu viva.
Pode vender meu próprio leito e roupa
para pagar àqueles a quem devo.
Sim, vende tudo, minha mãe, mas poupa
esta caduca máquina em que escrevo.
Mas poupa a minha amiga de horas mortas,
de teclas bambas, tique-taque incerto.
De ano em ano, manda-a ao conserto
e unta de azeite as suas peças tortas.
Vende todas as grandes pequenezas
que eram meu humílimo tesouro,
mas não! ainda que ofereçam ouro,
não venda o meu filtro de tristezas!
Quanta vez esta máquina afugenta
meus fantasmas da dúvida e do mal,
ela que é minha rude ferramenta,
o meu doce instrumento musical.
Bate rangendo, numa espécie de asma,
mas cada vez que bate é um grão de trigo.
Quando eu morrer, quem a levar consigo
há de levar consigo o meu fantasma.
Pois será para ela uma tortura
sentir nas bambas teclas solitárias
um bando de dez unhas usurárias
a datilografar uma fatura.
Deixa-a morrer também quando eu morrer;
deixa-a calar numa quietude extrema,
à espera do meu último poema
que as palavras não dão para fazer.
Conserva-a, minha mãe, no velho lar,
conservando os meus íntimos instantes,
e, nas noites de lua, não te espantes
quando as teclas baterem devagar.
TEATRO
REVISTA DE TEATRO - Relançamento
A nova direção da SBAT – Sociedade Brasileira de Autores, composta por Alcione Araújo, Aderbal Freire Filho, Orlando Miranda e Ziraldo Alves Pinto, relançam a inesquecível e importante Revista do Teatro. Por enquanto, à disposição do público na sede da SBAT e na Banca de Jornal em frente à sede, Av. Almirante Barroso, 97 – Rio de Janeiro. O telefone de contato é (21) 2240-7231.Para maiores informações consulte o site:
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Quanto maior o número de visitas ao site maior também o número de mulheres atendidas gratuitamente com o exame da mamografia.
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LIVRO RARO DE DRUMMOND EM EXPOSIÇÃO
Parte da coleção de objetos raros de Roberto Pedroso, morto em 2007, está em exposição no Rio de Janeiro até o dia 22 de julho no “Real Residence Hotel”, localizado na Av. Princesa Isabel, 500 – Copacabana, Rio de Janeiro.
A curiosidade, dentre tantos objetos expostos, é com relação ao exemplar em 1ª. edição de “O gerente”, devidamente autografado por seu autor, Carlos Drummond de Andrade, que viu sua micro-novela renegada.
Fonte: Prosa e Verso, Jornal O Globo
PALAVRA FINAL
“Quando não tenho esperança, fica muito difícil escrever para crianças.”
Ana Maria Machado, escritora
ILCIMAR ABREU é estudante de Letras e produtora cultural.
Se você tem algum comentário, crítica ou sugestão a fazer, entre em contato:
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ILCIMAR ABREU DOS SANTOS
ilcimarabreu@gmail.com
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