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20/05/2008
CACASO
Doce poeta marginal
Poesia
Eu não te escrevo
Eu te
Vivo
E viva nós!
(“Na corda bamba”)

Recentemente, para que pudesse preparar um trabalho acadêmico sobre o poeta Cacaso, me deparei com a história de um doce personagem. Homem inteligente, aglutinador de talentos, Cacaso é considerado por todos os críticos um “intelectual do seu tempo”.
Morto aos 44 anos, viveu na primeira classe, com amor, humor e muita mineirice. Desenvolveu um trabalho poético delicado cuja função era mostrar resistência aos anos negros da ditadura militar no Brasil.
Sonhei com um general de ombros largos que fedia
E que no sonho me apontava a poesia
Enquanto um pássaro pensava suas penas
E já sem resistência resistia.
(trecho de “Grupo Escolar”, de Cacaso)
Cacaso conservava o rosto juvenil, redondo, mantendo ainda os cabelos longos, a barba por fazer e as sandálias de couro. Para uma geração - a de 68 - Cacaso era um poeta, até na sua maneira desleixada de se vestir. Tinha também um lado teórico, que lhe servia para explicar aos seus companheiros o que estava fazendo. A poesia marginal, na verdade, foi o grande “poema sujo de uma geração “. Esta poesia rejeitava os dogmas ou uma maneira de se fazer poesia que estava associada aos poetas concretos. Era uma rejeição vital. Afinal, eles não poderiam perder tempo lendo Ezra Pound - o grande mestre da geração concretista. Esta geração desejava falar de poesia e fazer poemas. Isto bastava.
A professora Vilma Arêas sintetiza o poeta e seu tempo da seguinte forma:
“ Na época a expressão ‘ estamos vivos ‘ significava pensar junto, trabalhar em conjunto e até em parceria, inventar alternativas de resistência e sobrevivência, opondo à censura, ao controle de informações e a outras mazelas crônicas de nossa vida cultural, a proliferação incontrolável de um grande texto catártico, imprescindível para a realização do ‘ ato livre ‘ , que passasse ao largo de qualquer compromisso institucional e que a este se opusesse.
Num certo momento, critérios puramente literários pareciam habitar o segundo plano, pois o importante era ‘ não se deixar paralisar pelos esquemas paralisantes ‘ , o importante era fazer, retomar a criação. Em suma, resistir, maneira precária de dizer que estamos vivos . “
Engajado politicamente, para Cacaso todos os poetas, naquele momento, escreviam um grande ‘ poemão ‘ , uma obra escrita a inúmeras mãos. Diante dos limites da liberdade de expressão, havia um esforço para que todos se sincronizassem no grande registro de uma época.
Grande letrista da música popular brasileira, sua grande intérprete e parceira foi Sueli Costa.
Dentro de mim mora um anjo
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que tem a boca pintada
Que tem as unhas pintadas
Que tem as asas pintadas
Que passa horas à fio
No espelho do toucador
Dentro de mim mora um anjo
Que me sufoca de amor
Dentro de mim mora um anjo
Montado sobre um cavalo
Que ele sangra de espora
Ele é meu lado de dentro
Eu sou seu lado de fora
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
Dentro de mim mora um anjo
Que arrasta suas medalhas
E que batuca pandeiro
Que me prendeu em seus laços
Mas que é meu prisioneiro
Acho que é colombina
Acho que é bailarina
Acho que é brasileiro
Quem me vê assim cantando
Não sabe nada de mim
http://www.myspace.com/cacaso
Ouçam algumas músicas de Cacaso nas vozes de Sueli Costa, Edu Lobo e outros.
Ao entrar na página as músicas rodam automaticamente.
Do lado esquerdo da página um vídeo muito interessante exibe fotos do poeta ao lado de seus contemporâneos e amigos do mundo musical.
Belos registros! (ah... sim, tem também registros da trajetória de Cacaso)
Pensando a literatura em cada verso, Cacaso abrigou a vida veloz ao lado de outros poetas como Ana Cristina César, Paulo Leminski, Chacal, dentre outros.
Quem mais se aprofundou na história da época, teoricamente falando, foi Heloísa Buarque de Holanda, que diz:
“ É muito bom reviver a figura hilariante de Cacaso, com a bolsinha a tiracolo amarfanhada e pendurada de banda, um cabelão fora de hora e de lugar e aquele olhar de soslaio mostrando um livrinho “básico” que ele tinha acabado de inventar e imprimir.”
Cacaso esteve entre nós até 1987, na verdade, foi poesia rápida como a vida.
CURTINHAS
Música para cachorros
O compositor Roberto Menescal, um dos inventores da bossa-nova, reuniu-se com o dono de um hotel para cachorros em Guapimirim. Até aí nada demais, não é mesmo?
O incrível é que o empresário contou-lhe que usa o ritmo bossanovista para acalmar seus hóspedes. Bem humorado, Menescal saiu-se com essa: “A bossa-nova tem 1001 utilidades, mas essa é surpreendente.”
Consultório poético
www.bloglog.globo.com/fabriciocarpinejar
O poeta Carpinejar responde aos leitores e leitoras que desejam desabafar e expor suas dúvidas sentimentais.
É a modernidade da internet a serviço do amor!
Se você passa por momentos tortuosos com seu amado ou amada, escreva para
carpinejar@terra.com.br
Emprego: palavra milhares de vezes digitada nos sites de busca
Pesquisas feitas pela direção comercial do TeRespondo indicam que “emprego” é a terceira palavra mais digitada em sites de pesquisa.
O estudo da TeRespondo mostrou, ainda, que o termo “concursos públicos” ocupa a sétima posição na preferência dos internautas.
Sites destacam editais de concursos
Se você está de olho nas oportunidades para mostrar seu talento e capacidade para abiscoitar um emprego público, anote:
www.esaf.fazenda.gov.br
www.cespe.unb.br
www.nce.ufrj.br
www.servidor.gov.br
www.rio.rj.gov.br/fjg
www.fesp.rj.gov.br
SEMINÁRIOS
10º. Seminário FNLIJ de Literatura Infantil e Juvenil
21 de maio a 1º. de junho
O Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro (Av. Infante Dom Henrique, 85 - Parque do Flamengo) se prepara para receber o
10º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens. Promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, o evento reunirá 66 editoras com os mais recentes lançamentos para o público infantil e juvenil.
Além disso, os visitantes poderão conhecer o Espaço FNLIJ de Leitura, com encontros com os escritores para debater suas obras, e a Biblioteca FNLIJ-Petrobras, que dispõe de aproximadamente três mil títulos para a diversão do público mirim.
Entre os autores que já confirmaram presença no Salão estão Luís Fernando Veríssimo, Ziraldo, Ana Maria Machado, Adriana Falcão e Bartolomeu Campos de Queirós (indicado brasileiro ao Prêmio Hans Christian Andersen deste ano). A grande homenageada desta edição será a Itália.
Por isso, haverá no espaço uma exposição com 14 ilustrações italianas já publicadas em livros infantis deste país. Ao percorrer os 2 mil metros dedicados à literatura, os participantes poderão ainda conhecer um pouco mais sobre os 100 anos da imigração japonesa, comemorados em 2008.
O Salão funcionará de segunda a sexta, das 8h30 às 18h, e sábados e domingos, das 10h às 20h, com ingresso a R$ 3,00. Informações pelo 21.2262-9130.
PALESTRAS SOBRE MONTEIRO LOBATO
Assista em vídeo o evento promovido pela Academia Brasileira de Letras
O evento aconteceu dia 18 de abril passado e a programação contou com a participação de Ana Maria Machado, Marisa Lajolo e Lygia Bojunga, dentre outros. Vale a pena assistir!
http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=7333&sid=16
LIVRO EM DESTAQUE
Para viver com poesia
Mario Quintana - Organização e seleção de Márcio Vassalo
Editora Globo, 256 páginas, 25 reais
Livro de bolso que destaca trechos curtos da obra de Quintana desmembrando-a em temas como: “Para levar a infância a sério” e “Para chegar mais perto dos poetas”.
PALAVRA FINAL
Sou mulher
rasgo roupas, refaço planos
enfrento o mundo
por você
(mini-poema de Ilcimar Abreu)
ILCIMAR ABREU é estudante de Letras e produtora cultural.
Se você tem algum comentário, crítica ou sugestão a fazer, entre em contato:
ilcimarabreu@gmail.com
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