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24/05/2007
Noites para Clarice
O Teatro Municipal de Macaé foi o palco perfeito para os encontros em homenagem à grande escritora brasileira. “As faces de Clarice Lispector” reuniu cerca de 800 pessoas nos dias 14 e 15 de maio para ouvir as palestras da professora Vilma Arêas, da Unicamp.
A platéia ficou encantada e emocionada com a inteligência, carisma, competência, simplicidade e simpatia com que a palestrante abordou a vida e a obra de Clarice.
Recebi um texto, escrito pela professora Vilma Arêas sobre estes dias em Macaé, lindo e tocante, que divido com todos vocês. Nossa gratidão, querida Vilma. Até breve!
Clarice, Macaé, Pessoas e Paisagem

Impossível deixar de fazer pelo menos uma referência ao evento sobre Clarice Lispector, organizado em Macaé por Ilcimar Abreu, que trabalhou desde o início de janeiro para realizá-lo, e que com obstinação e competência, escolhendo bons parceiros, venceu todos os obstáculos para que ele fosse um sucesso.
Na qualidade de conferencista convidada, só posso registrar um profundo sentimento de gratidão, pela simpatia e pelo carinho com que fui recebida, não só pela organizadora, mas também pela professora Elzimar Castro, que nos conduziu incansavelmente de um lado para outro, e por todas as pessoas envolvidas no evento, fotografadas com entusiasmo por Tânia Schueler no início dos trabalhos.
Foi emocionante admirar o auditório sempre cheio de jovens, de professores e de pessoas interessadas em nossa escritora. As perguntas foram muitas, demonstrando o envolvimento com as questões colocadas e derrubando o mito da indiferença contemporânea por questões de arte e literatura. Como tão bem observou Antonio Candido em seu extraordinário ensaio "O direito à literatura" (em Vários Escritos) , a literatura faz parte dos direitos humanos. Nossa época, profundamente bárbara, embora tenha atingido um máximo de racionalidade técnica, condenou à degradação a maioria. Afirma-se - sempre com boas intenções - que o próximo tem direito a certos bens fundamentais: casa, comida, saúde. "Mas será que pensam que o seu semelhante pobre teria direito a ler Dostoievski ou ouvir os quartetos de Beethoven?"
Ora, negar esses direitos significa mutilar o próximo de sua dimensão humana, na compreensão da própria complexidade. Aí se encaixa a literatura, instrumento de auto-conhecimento e de conhecimento do mundo.
Ela não deve ser fruída por mero esnobismo, como às vezes acontece, e sim como um bem espiritual/intelectual que tem de estar ao alcance de todos, para que realizem de maneira desejável o destino da espécie. E todos, independentemente da cultura que possam ter, sabem disso por intuição, não rejeitam qualquer aproximação com a arte. Para meu contentamento - é sempre uma grata surpresa - o evento em Macaé demonstrou essa verdade.
Não posso omitir também que me senti honrada em ter sido acompanhada nas mesas de debates pelos professores Latuf Isaías Mucci, Luiz Guaracy Gasparelli Júnior, Rodrigo da Costa Araújo e Haron Gamal, que comentaram as questões com finura e enriqueceram o que foi dito. Obrigada a todos.
Por último, também agradeço - embora ele não me possa ouvir - ao mar verde-azul-limão, que embala o sono dos felizardos que têm a sorte de tê-lo por perto. Nem que seja por algumas horas.
Vilma Arêas
ILCIMAR ABREU é estudante de Letras e produtora cultural.
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ILCIMAR ABREU DOS SANTOS
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